Design thinking no planejamento de campanhas

Introdução

Já percebeu como algumas campanhas parecem adivinhar o que o público quer — e performam sem desperdiçar mídia? Não é sorte. É método. O design thinking, somado ao modelo Double Diamond, ajuda a reduzir achismo, acelerar validações e aumentar a chance de acertar na mensagem certa, no canal certo. Não à toa, um estudo da McKinsey (2018) mostrou que empresas no topo em design superaram seus pares em crescimento de receita e retorno para acionistas. Em outras palavras: quando a criatividade encontra método, o ROI agradece.

O que é design thinking e por que usar em campanhas

Princípios: empatia, cocriação e teste rápido

Design thinking é uma forma prática de resolver problemas complexos com foco nas pessoas. Seus pilares:

  • Empatia: entender o público além dos dados demográficos.
  • Cocriação: construir soluções com cliente, time e, sempre que possível, com o próprio usuário.
  • Teste rápido: prototipar cedo, errar barato e aprender rápido.

Aplicar esse trio em campanhas aproxima a marca das pessoas certas, substitui achismo por validação e evita “big reveals” que só brilham na apresentação.

Quando usar: problemas confusos e novos públicos

Ele brilha em cenários de briefing aberto, metas vagas, mudança de posicionamento ou quando a audiência é pouco conhecida. Lançando uma categoria nova? Ajustando tom de voz para Gen Z? Precisa priorizar canais com orçamento curto? Hora de ligar o modo design thinker.

As 4 etapas do Double Diamond no marketing

Descobrir e Definir: pesquisa e foco no problema

O Double Diamond, popularizado pelo Design Council, divide o processo em explorar (abrir) e focar (fechar). Em campanhas:

  • Descobrir: entrevistas rápidas com clientes, análise de comentários e reviews, social listening, mapa de empatia e jornada do cliente. Busque padrões de dores, gatilhos e barreiras.
  • Definir: converta achados em um problema claro. Ex.: “Pessoas consideram nosso produto, mas travam no frete e no medo de não servir.”

Dica de ouro: uma boa definição de problema vale mais que três brainstorms. Airbnb, por exemplo, percebeu que fotos ruins eram barreira central e, ao testar fotos profissionais, viu salto nas reservas. Problema certo, solução eficaz.

Desenvolver e Entregar: protótipos e testes

Com o problema claro:

  • Desenvolver: crie rotas criativas (mensagens, ofertas, formatos). Use esboços, roteiros, storyboards, mockups estáticos.
  • Entregar: rode pilotos pequenos. Testes A/B de peça e mensagem, landing de baixa fidelidade, um disparo de e-mail segmentado, verba de mídia controlada.

Antes de escalar, valide no campo. Estudos como o Forrester TEI sobre Enterprise Design Thinking da IBM reportaram ROI acima de 300% e time-to-market até 2x mais rápido quando a cultura de prototipagem e validação entrou no processo.

Como aplicar design thinking no briefing

Perguntas que destravam insights

Transforme o briefing em um guia vivo. Pergunte:

  • Quem são as pessoas impactadas e o que as frustra hoje?
  • Em que contexto elas decidem? Onde pesquisam? Quem influencia?
  • Quais barreiras práticas existem (preço, prazo, risco, confiança)?
  • O que já foi testado? O que funcionou e por quê?
  • Quais suposições estamos fazendo? Como podemos validá-las em 2 semanas?
  • Qual comportamento mínimo provaria que estamos no caminho certo?

De insight a hipótese de campanha

Converta descobertas em hipóteses testáveis:

  • Formato: “Acreditamos que [mensagem] para [público] no [canal] vai gerar [comportamento] porque [insight]. Mediremos por [métrica] em [prazo].”

Exemplo: “Acreditamos que oferecer frete grátis no primeiro pedido para leads que abandonaram o carrinho em remarketing reduzirá a fricção e aumentará a conversão em 20% em 14 dias, pois medo de custo final apareceu como principal barreira nas entrevistas.”

Ferramentas simples para cada fase

Descoberta: ouvir e organizar

  • Pesquisa: entrevistas curtas por videochamada, enquetes no Instagram/LinkedIn, Google Forms, análise de comentários e reviews.
  • Organização: mapas de empatia e jornada no Miro/FigJam; personas enxutas; planilha com dores/ganhos/gatilhos. Use Google Trends para contexto de busca e Bitly/UTM para rastrear cliques.

Teste: protótipos que cabem no prazo

  • Criação: rascunhos no Canva/Figma, storyboards simples, roteiros de 30s.
  • Validação: pilotos de e-mail em listas segmentadas (A/B de assunto e oferta), pequenos conjuntos de anúncios em Meta/Google, landing pages com Unbounce/Landingi. Métricas nativas de A/B das plataformas já dão tração sem custo extra.

Métricas e aprendizados: fechando o ciclo

KPIs de teste vs. KPIs de campanha

  • KPIs de teste (validação): taxa de abertura e CTR no e-mail piloto, CTR e CPC nos anúncios, taxa de cliques na LP, tempo de permanência, resposta qualitativa (“isso me convence?”).
  • KPIs de campanha (negócio): conversão, CAC, LTV, receita incremental, ROAS, taxa de recompra. Não confunda “curtidas” com sinal de mercado; piloto prova direção, campanha prova resultado.

Documentar e escalar o que funcionou

Monte um repositório simples (Notion/Drive) com:

  • Hipótese, público, canal, peça e oferta
  • Resultado do teste, aprendizado e decisão (escala, ajuste, descartar)
  • Próximos passos e checklist de replicação

Isso acelera o próximo ciclo e evita “reinventar a roda” a cada briefing.

Conclusão

Design thinking não é ritual; é atitude: ouvir de verdade, prototipar cedo e medir o que importa. Quando a criação encontra dados no Double Diamond, a campanha sai do “achismo premium” e entra no território do impacto. Imagine aplicar essa tendência na sua próxima campanha, com menos risco e mais tração? Que tal transformar dados em ideias criativas que engajam de verdade?

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