Introdução
Se você mede tudo, mas não muda nada, temos um problema. Dados sem ação são decoração de dashboard — bonitos, mas inúteis. No marketing, a análise de dados é a bússola que orienta decisões melhores, do criativo ao budget. Métricas mostram o que aconteceu; KPIs são os indicadores que realmente importam para o negócio, focando atenção e melhoria contínua. A pergunta é: você está olhando para o que move a agulha?
Análise de dados no marketing: por onde começar
Analisar dados é transformar registros de comportamento (cliques, sessões, vendas) em decisões de negócio. A diferença:
- Dados: números brutos (ex.: 10.000 visitas).
- Métricas: cálculos sobre os dados (ex.: taxa de conversão 2%).
- KPIs: indicadores-chave ligados à meta (ex.: custo por lead, ROAS, LTV). Eles guiam foco e priorização.
Defina objetivo e 3 KPIs que importam
Comece com uma meta clara. Exemplo: “Gerar 300 leads/mês com CPL até R$ 30”.
- Três KPIs básicos para começar:
- Visitas (tráfego qualificado).
- Taxa de conversão (visita > lead).
- Custo por lead (CPL).
Registre a linha de base (últimos 30 dias). Ex.: 8.000 visitas, 1,8% de conversão, 144 leads, CPL R$ 42. Essa fotografia inicial orienta prioridades e metas semanais.
Mapa de dados: onde buscar números sem dor
- GA4: tráfego, fontes, páginas, eventos.
- Redes sociais: alcance, CTR, custo por resultado.
- CRM/planilhas: leads, status, oportunidades, vendas.
- E-commerce: taxa de checkout, ticket médio, receita.
Dica prática: centralize em um Google Sheets ou Looker Studio. Padronize UTMs (utm_source, utm_medium, utm_campaign), nomeie campanhas com convenção única e use um ID de lead para cruzar canais com vendas.
Transforme métricas em insights acionáveis
Números respondem às perguntas que você faz. Compare períodos (semanal/mensal), segmente por canal, campanha e público. Procure padrões, não exceções.
3 leituras: o que, por quê e e se…
- Descritivo (o que): “Visitas +25% e conversões estáveis.”
- Diagnóstico (por quê): “Meta Ads trouxe tráfego novo, mas o público frio aterrissou em página lenta no mobile.”
- Hipótese preditiva (e se…): “E se focarmos criativo com prova social e otimizarmos o tempo de carregamento? Esperamos +20% na taxa de conversão no mobile.”
Exemplo rápido: CTR do criativo UGC é 2x maior que o institucional. Hipótese: “Criativos com depoimento + CTA direto” aumentam conversão de lead em 15%.
Funil simples: da visita à venda
Monte um funil básico: Visita > Lead > Oportunidade > Venda.
- Gargalo comum 1: muitas visitas, pouca conversão. Causas: promessa fraca, CTA vago, página lenta. Testes: headline clara, prova social, CTA ativo, otimização de velocidade.
- Gargalo comum 2: muitos leads, poucas oportunidades. Causas: qualidade do tráfego, formulário sem qualificação. Testes: segmentação, perguntas-chave no formulário, nutrição por e-mail.
- Gargalo comum 3: oportunidades não viram vendas. Causas: follow-up, proposta, timing. Testes: script, SLA com vendas, remarketing de carrinho/proposta.
Do insight à ação: priorize e teste
Você não vai testar tudo de uma vez. Priorize o que traz mais resultado com menos esforço.
Priorize com a matriz ICE/PIE
- ICE: Impacto, Confiança, Esforço (1–10). Pontuação = I x C x E (esforço invertido pode virar “facilidade”).
- PIE: Potencial, Importância, Facilidade (1–10).
Exemplo:
- Trocar headline da landing e adicionar prova social: I=8, C=7, E=9 → 504.
- Novo criativo UGC para mobile: I=7, C=8, E=8 → 448.
- Ampliar público lookalike 5%: I=5, C=6, E=9 → 270.
Comece pelo maior score e avance.
Testes rápidos: A/B e pequenas mudanças
- O que testar: CTA (verbo, tamanho), criativo (UGC vs institucional), público (interesses x lookalike), landing (headline, prova social, formulário).
- Defina sucesso antes: métrica primária (ex.: taxa de conversão), janela (ex.: 7–14 dias ou 1.000 visitas), efeito mínimo detectável (ex.: +10%).
- Uma variável por vez. Evite testes longos demais e pare cedo se não houver sinal claro.
Acompanhe resultados e aprenda no ciclo
Dados sem rotina viram poeira. Crie um loop: medir, aprender, decidir, agir.
Painel simples no Looker/Sheets
Monte um dashboard com:
- Metas e linha de base.
- KPIs semanais: visitas, conversão, CPL, receita/ROAS.
- Segmentos por canal/campanha.
- Anotações de testes e mudanças.
Diferencie indicadores de caminho ( leading ) e de resultado ( lagging ). Leading: CTR, % de scroll > 50%, tempo de resposta do SDR. Lagging: vendas, MRR, LTV. Leading orienta ação rápida; lagging confirma impacto no negócio.
Check-in de 30 minutos por semana
Roteiro direto:
- 10 min: revisar KPIs vs meta.
- 10 min: discutir aprendizados dos testes.
- 5 min: decidir próximos 1–2 testes (com ICE/PIE).
- 5 min: delegar tarefas e registrar no log de aprendizados.
Disciplina vence genialidade ocasional.
Ferramentas úteis e erros comuns
Ferramentas gratuitas para começar
- GA4 e Google Tag Manager: coleta e eventos.
- Looker Studio + Google Sheets: dashboards simples.
- Hotjar básico: mapas de calor e gravações.
- Testes A/B nativos: Experimentos do Google Ads, Testes A/B do Meta Ads, A/B em e-mail (Mailchimp, RD).
Quando evoluir: se o volume e a complexidade crescerem, considere CDP/CRM robusto, plataformas de experimentação e BI.
Erros que travam a análise (e como evitar)
- Métricas de vaidade: likes sem contexto. Foque em KPIs ligados à meta.
- Dados bagunçados: sem UTMs, nomenclatura inconsistente. Padronize hoje.
- Decidir sem hipótese: escreva “acreditamos que X porque Y; mediremos por Z”.
- Não documentar: crie um repositório de testes com data, hipótese, resultado e próximo passo.
- Ignorar sazonalidade: compare períodos equivalentes e anote campanhas.
Fechando a conta
Dados são o briefing mais honesto que você vai receber. Transforme métricas em decisões, decisões em testes e testes em crescimento. Comece pequeno, itere rápido e celebre cada aprendizado que move o ponteiro.
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